Transplante de córnea exige mais eficiência do sistema

Redação Olho na Saúde

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O Brasil tem atualmente 37.719 pessoas à espera de um transplante de córnea, segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). O número representa um aumento de 15% em relação a dezembro de 2025, quando 32.639 pacientes estavam na fila.

Este número significativo de  pessoas aguardando por um transplante de córnea expõe um problema que vai muito além de uma estatística: estamos falando de milhares de brasileiros que convivem com a possibilidade de perder ou já terem perdido parte importante da visão enquanto aguardam uma oportunidade de recuperar a qualidade de vida.

O Ministério da Saúde explica que a córnea é essencial para a formação da visão e que doenças como ceratocone, distrofias, queimaduras e outras alterações podem comprometer severamente a capacidade visual. A lista de espera é organizada pelo Sistema Nacional de Transplantes, levando em consideração critérios como ordem de inscrição, gravidade e situações de urgência.

O que precisa ser questionado é por que uma fila dessa dimensão ainda persiste em um país que possui um dos maiores sistemas públicos de transplantes do mundo. Não basta comemorar os números de cirurgias realizadas ou fazer campanhas de conscientização uma vez por ano. É preciso olhar para quem continua esperando, para a estrutura dos bancos de olhos, para a captação de tecidos, para a distribuição das córneas e para as desigualdades regionais que podem dificultar o acesso ao transplante.

A doação de córneas depende de um gesto que acontece depois da morte: a autorização da família. O próprio Ministério da Saúde reforça que qualquer pessoa falecida pode ser potencial doadora de tecidos oculares, desde que não haja contraindicações e que a família autorize a doação. Portanto, falar sobre doação de órgãos não pode ser tabu. É preciso conversar em vida, dentro de casa, para que a família conheça a vontade de quem deseja ser doador.

O Brasil precisa transformar a solidariedade da doação em eficiência do sistema. Não basta existir doador. É preciso captar, preservar, transportar, distribuir e transplantar com rapidez e segurança. E, sobretudo, é preciso transparência para que a sociedade saiba onde estão os gargalos e quais medidas estão sendo tomadas para reduzir essa espera.

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