Câncer de pâncreas é cada vez mais frequente nos países industrializados

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Diferentemente do câncer de mama ou próstata, o câncer de pâncreas é silencioso e, quando descoberto, geralmente progrediu ao estado de metástase. Pelo fato de ser de difícil detecção e comportamento agressivo, o câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade em todo o mundo. Como ainda não há formas de rastreio, é fundamental que as pessoas procurem evitar fatores de risco que podem ser modificáveis, como tabagismo, consumo de bebida alcóolica e obesidade.

 

Preocupados com a aparição cada vez mais frequente, o Botton Champalimaud Pancreatic Center, inaugurado no ano passado em Lisboa, apresenta-se como um dos primeiros no mundo dedicado à investigação e ao tratamento do câncer do pâncreas. Na visão do diretor clínico do departamento do Aparelho Digestivo, Dr. Carlos Carvalho “o diagnóstico geralmente é tardio e feito quando a maior parte dos sintomas já está em fase muito avançada, quando a perspectiva de cura é muito difícil”, o que precariza a cura do problema. O médico ainda ressalta que “embora já começam a surgir alguns testes no sangue utilizando-se material genético que estão em circulação no DNA dos tumores que podem trazer avanços em diagnósticos precoces e, eventualmente, serem utilizados como rastreio. Mas, até agora não há um método generalizado de rastreio do câncer de pâncreas”, confirma.

 

Segundo o Instituto Nacional do Câncer- INCA, no Brasil, sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de pâncreas ocupa a 14ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes. Além disso, conforme dados da Organização Mundial de Saúde, houve 495 mil novos casos de câncer de pâncreas apenas em 2020 no mundo. No mesmo ano, 466 mil pessoas faleceram devido à doença, dado que corresponde a sétima causa de letalidade por câncer no planeta.

 

“Não é um câncer raro, e nos países muito industrializados é cada vez mais frequente, avançando em termos de porcentagem de mortalidade com relação aos outros tumores e provavelmente será a segunda causa de morte nestes países ficando abaixo apenas do câncer de pulmão”, alerta Carvalho.

 

Se o diagnóstico é difícil, mais importante ainda é atentar para os fatores de risco relacionados ao tabagismo, obesidade, idade, diabetes de tipo 2, consumo crônico de álcool e histórico familiar. Carvalho chama atenção ainda para a letalidade deste tipo de câncer e faz uma comparação com outros tumores, tendo em vista que “enquanto no tumor da mama, na fase inicial, pode-se ter uma sobrevivência aos 05 anos mais 90% de cura, no caso do câncer do pâncreas, esta sobrevivência é limitada a 40%. Já na fase metastática de tumores mais frequentes, existem formas de tratamento que permitem viver por muitos anos com um bom controle da doença. No caso do tumor do pâncreas, é extremamente raro, as alternativas de tratamentos e medicamentos na fase avançada são muito limitadas” reforça o profissional que alerta para o autocuidado.

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