O Brasil tem atualmente 37.719 pessoas à espera de um transplante de córnea, segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). O número representa um aumento de 15% em relação a dezembro de 2025, quando 32.639 pacientes estavam na fila. Apesar do crescimento da demanda, o país registrou, no ano passado, um número recorde de procedimentos, com 17.790 transplantes realizados. Os dados estão sendo discutidos no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, que acontece em Salvador até sábado (12).
De acordo com informações da Agência Brasil, o tempo médio de espera pelo transplante chegou a 370 dias, mais que o dobro do registrado há dez anos, quando a média era de 174 dias. Entre os fatores apontados pelo CBO estão o represamento de pacientes provocado pela pandemia de covid-19, a falta de reajuste nos valores pagos pelos procedimentos e o aumento dos custos de manutenção dos bancos de olhos, incluindo insumos cotados em dólar.
A situação varia entre os estados. O Ceará realizou 1.371 transplantes em 2025 e encerrou o ano com 93 pacientes ativos na fila, apesar de ter registrado 1.639 novos ingressos. No Rio de Janeiro, foram realizados 653 transplantes e registrados 1.720 novos pacientes no mesmo período, levando a fila a 4.760 pessoas. São Paulo concentrava a maior fila, com 7.505 pacientes, enquanto Minas Gerais tinha 4.532. Amapá e Roraima não registraram transplantes de córnea em 2025.
Entre os pacientes que aguardam pelo procedimento, 56% são mulheres e 47% têm 65 anos ou mais. A fila também inclui 753 crianças e adolescentes, número superior aos 616 registrados em dezembro de 2025. Segundo o CBO, o envelhecimento da população e o aumento das doenças degenerativas da córnea contribuem para o crescimento da demanda.
