Um exame simples, não invasivo e capaz de identificar sinais precoces do câncer colorretal antes mesmo do aparecimento de sintomas passará a ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se do Teste Imunoquímico Fecal (FIT), que será utilizado como ferramenta de rastreamento populacional para ampliar o diagnóstico precoce da doença, considerada uma das mais frequentes no intestino.
O procedimento será oferecido para pessoas acima de 50 anos e deve ser repetido anualmente, caso ele seja negativo.
“O SUS deu um passo muito importante em relação ao rastreamento do câncer colorretal, câncer de intestino, ao oferecer o exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes pelo método FIT à população. Esse método diferencia da pesquisa de sangue oculto normal porque, por meio de anticorpos, vai detectar diretamente a hemoglobina humana. Então, esse teste não sofre muita influência da alimentação”, explica a coloproctologista Glícia Abreu.
O exame é realizado por meio da análise de uma pequena amostra de fezes e consegue detectar quantidades mínimas de sangue oculto utilizando anticorpos específicos para reconhecer a hemoglobina humana. Segundo a especialista, essa tecnologia torna o FIT mais preciso do que os métodos tradicionais.
“Ele deve ser oferecido para a população, especialmente para aquelas pessoas assintomáticas ou que não tenham história familiar de câncer de intestino. E nessas pessoas, caso esse exame seja positivo, elas deverão ser direcionadas para um exame mais específico, que é chamado de colonoscopia”, afirma.
FIT não substitui colonoscopia
Nesse contexto, a coloproctologista ainda ressalta que o FIT não substitui colonoscopia e ressalta que o procedimento é utilizado para fazer o rastreamento do câncer colorretal para a população de risco médio, isto é, pessoas acima de 45 anos que não tenham história familiar de câncer colorretal e sejam assintomáticas.
“Para esse grupo de pessoas, existe, além do FIT, outros exames que podem ser escolhidos, a depender da preferência do paciente e do médico, como, por exemplo, a colonoscopia e retossigmoidoscopia flexível. O que muda entre esses exames é o tempo que devem ser repetidos. Enquanto o FIT deve ser repetido anualmente e, até de 2 em 2 anos, a colonoscopia normal pode ser repetida após dez anos para esse grupo de pessoas”, explica Glícia Abreu.
Sobre a especialista
A Glicia Abreu é coloproctologista, doutora em Medicina e Saúde Pública e mestre em Cirurgia pela Universidade Federal da Bahia. Também atua como professora adjunta de Metodologia da Pesquisa da Escola Bahiana de Medicina.
Membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e integrante da Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva, atua desde 1992 no Serviço Estadual de Oncologia do SUS na Bahia. Atualmente, também integra a equipe da Rede D’Or, em Salvador.
Com experiência no tratamento de doenças do assoalho pélvico, como incontinência fecal e constipação, a especialista trabalha com exames de alta resolução, incluindo manometria anorretal, além de técnicas minimamente invasivas, como neuromodulação sacral e uso de laser em patologias proctológicas. Possui artigos científicos publicados e trabalhos premiados em congressos da área médica.
Currículo Lattes: CNPq Lattes – Dra. Glicia Abreu
