Por muito tempo, a menopausa foi cercada por silêncio, estigmas e desinformação. Hoje, no entanto, cresce o movimento de mulheres que reivindicam mais informação, qualidade de vida e o direito de atravessar essa fase sem culpa ou preconceito. Sintomas como ondas de calor, alterações no sono, falhas de memória, mudanças de humor e irritabilidade, frequentemente resumidos à expressão “é a menopausa”, passaram a ser compreendidos pela medicina como reflexos de uma transição biológica complexa, e não como sinal de fragilidade emocional.
“A menopausa não é um colapso. É uma transição biológica complexa, marcada por mudanças hormonais que afetam praticamente todos os sistemas do organismo, do cérebro aos ossos, da pele ao coração”, explica Izabelle Gindri, especialista em saúde hormonal, PhD em Engenharia Biomédica pela UTD (University of Texas, Dallas), cientista, farmacêutica, cofundadora e CEO da bio meds Brasil.
A menopausa é oficialmente diagnosticada após 12 meses consecutivos sem menstruação, mas seus efeitos costumam surgir ainda na perimenopausa, período em que os níveis de estrogênio e progesterona sofrem oscilações significativas. Além das conhecidas ondas de calor, mulheres podem apresentar insônia, ansiedade, dificuldade de concentração, redução da libido, ressecamento vaginal, fadiga persistente, aumento da gordura abdominal e alterações de humor. Essa fase também costuma coincidir com outras transformações importantes da vida, como mudanças familiares, consolidação da carreira profissional e redefinição de prioridades pessoais, fatores que podem intensificar os impactos físicos e emocionais.
Especialistas destacam que os avanços da medicina ampliaram as possibilidades de tratamento e contribuíram para uma nova compreensão sobre a terapia de reposição hormonal. Estima-se que mais de 1 bilhão de mulheres em todo o mundo estejam na pós-menopausa, sendo que cerca de 75% apresentam sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos, enquanto aproximadamente um quarto enfrenta manifestações capazes de comprometer o trabalho, o sono, a saúde mental e a vida sexual. As diretrizes mais recentes da International Menopause Society (IMS) recomendam uma abordagem individualizada, considerando fatores como idade, tempo desde a menopausa, histórico clínico e perfil de risco de cada paciente. “Quando indicada para mulheres saudáveis, especialmente antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos após a menopausa, a reposição hormonal apresenta benefícios que frequentemente superam os riscos. Ela reduz as ondas de calor, melhora o sono, protege a saúde óssea, ajuda na lubrificação vaginal e pode devolver qualidade de vida a mulheres que convivem diariamente com sintomas incapacitantes”, avalia Izabelle Gindri.
Além dos avanços terapêuticos, especialistas apontam uma mudança na forma como a menopausa vem sendo encarada pela sociedade. Cada vez mais mulheres permanecem ativas no mercado de trabalho, assumem posições de liderança, investem em novos projetos pessoais e reivindicam maior autonomia sobre a própria saúde. Nesse contexto, o debate deixa de se restringir ao aspecto clínico e passa a envolver temas como qualidade de vida, autoestima e direitos. “Falar sobre hormônios deixa de ser apenas uma conversa médica. Torna-se uma discussão sobre autonomia, saúde, mercado de trabalho, autoestima e direitos. Porque talvez aquela mulher considerada “difícil” apenas tenha deixado de silenciar desconfortos, de aceitar sobrecargas e de colocar as necessidades de todos acima das suas”, reforça Izabelle Gindri.
