Mais do que um incômodo passageiro, a dor de cabeça é considerada um problema de saúde pública. No Brasil, mais de 30 milhões de pessoas convivem com a enxaqueca, muitas ainda sem diagnóstico e menos da metade recebe o tratamento adequado. No Dia Nacional de Combate à Cefaleia, lembrado em 19 de maio, o neurologista do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), Giovani Zago, reforça a importância de observar os sinais do corpo e procurar ajuda médica diante de dores frequentes.
Segundo o especialista, a cefaleia deixa de ser algo pontual quando começa a interferir na rotina, no sono, nos estudos, no trabalho e na qualidade de vida do paciente. “As cefaleias podem ser tanto um sintoma de alguma doença quanto um diagnóstico em si, como acontece na enxaqueca, cefaleia tensional, neuralgia do trigêmeo e cefaleia em salvas”, explica.
O neurologista destaca que muitas pessoas acabam normalizando a dor ou recorrendo frequentemente ao uso de analgésicos sem investigação adequada. “Apagar o incêndio é diferente de prevenir. Em muitos casos, a cefaleia frequente é uma condição médica que precisa de acompanhamento e tratamento específico”, afirma.
Entre os principais sinais de alerta que exigem avaliação médica estão dores muito fortes e repentinas, diferentes do padrão habitual, acompanhadas de febre, fraqueza, dormência, alterações na visão ou na fala, desmaios ou mudanças importantes no comportamento da dor. O médico também chama atenção para casos em que a dor surge após os 50 anos ou em pessoas com doenças autoimunes.
Já a enxaqueca, uma das formas mais comuns de cefaleia, normalmente não aparece em exames de imagem como tomografia ou ressonância magnética. “Ela é uma alteração fisiológica, relacionada ao funcionamento do organismo. Costuma provocar dores intensas, acompanhadas de náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, ao barulho e piora com esforço físico”, explica Giovani Zago.
Apesar de ser uma das queixas mais frequentes nos consultórios, o diagnóstico ainda representa um desafio. Isso porque existem diferentes tipos de cefaleia e muitos sintomas podem se confundir. Além disso, muita gente demora para procurar ajuda ou se acostuma a conviver com a dor.
“O diagnóstico depende muito de uma boa conversa com o paciente e da descrição correta dos sintomas. Conhecer o próprio corpo e perceber os gatilhos das crises ajuda muito no raciocínio clínico e na definição do tratamento mais adequado”, ressalta o neurologista.
Entre os principais fatores que podem desencadear crises de dor de cabeça estão estresse, noites mal dormidas, jejum prolongado, pouca hidratação, excesso de café, álcool e o uso exagerado de analgésicos. Por isso, além do tratamento medicamentoso, hábitos saudáveis fazem parte da prevenção.
“O bom controle das cefaleias passa pela adequação da rotina. Dormir bem, manter horários regulares para alimentação, beber água, praticar atividade física e evitar automedicação frequente são medidas fundamentais”, orienta.
O especialista reforça ainda que sentir dor de cabeça frequentemente não deve ser encarado como algo normal. “Procurar ajuda médica é essencial para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado”, finaliza Giovani Zago.
