A febre do Nilo Ocidental ainda é considerada uma doença rara no Brasil e, apesar dos casos registrados recentemente, não há motivo para alarme, segundo o infectologista Álvaro Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O médico explica que a grande maioria das pessoas infectadas apresenta sintomas leves ou sequer manifesta sinais da doença. Menos de 1% dos casos, conforme a avaliação do especialista, evolui para formas graves.
A infecção é provocada por um vírus transmitido principalmente por mosquitos do gênero Culex, conhecidos como pernilongos ou muriçocas. O inseto pode se infectar ao picar aves contaminadas e, posteriormente, transmitir o vírus a pessoas. Por isso, a presença de aves mortas em quantidade acima do habitual deve ser monitorada pelas autoridades. O contato direto com aves, porém, não significa que uma pessoa será contaminada.
Em muitos casos, a infecção não provoca sintomas. Quando eles aparecem, os mais comuns são febre, mal-estar, dor de cabeça, dores musculares, falta de apetite, náuseas, vômitos, manchas na pele e dor nos olhos. Em situações menos frequentes, o vírus pode atingir o sistema nervoso e provocar complicações como encefalite e meningite, exigindo atendimento médico e, nos casos mais graves, internação hospitalar.
Até o momento, não há vacina ou medicamento antiviral específico contra a doença para uso em humanos. O tratamento depende da intensidade dos sintomas e pode envolver repouso, hidratação e acompanhamento médico, além de suporte hospitalar nos quadros graves. Em São Paulo, dois casos foram confirmados, sendo que uma paciente já se recuperou e outra permanece internada. Santa Catarina também registrou dois casos, com uma morte, enquanto o Piauí investiga um caso provável. Diante dos registros, o Ministério da Saúde mantém a vigilância para identificar novas infecções e possíveis locais de transmissão.
