Excesso de peso após os 40 anos amplia risco metabólico e cardiovascular

Redação Olho na Saúde

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Adiar o emagrecimento após os 40 anos pode trazer consequências que vão muito além da estética. Segundo a médica nutróloga Mariana Wogel, o acúmulo de gordura abdominal nessa fase da vida favorece alterações silenciosas no fígado, no metabolismo e no sistema cardiovascular, especialmente após a menopausa. A especialista explica que a gordura visceral, localizada ao redor dos órgãos, é altamente inflamatória e está associada ao desenvolvimento de doenças que podem permanecer sem sintomas por longos períodos.

Entre os primeiros órgãos afetados está o fígado. De acordo com a médica, a gordura visceral contribui para o surgimento da esteatose hepática, condição caracterizada pelo acúmulo de gordura nas células hepáticas. O quadro está diretamente relacionado à resistência à insulina e pode desencadear uma série de alterações metabólicas, como aumento da glicose no sangue, elevação da pressão arterial e piora dos níveis de colesterol, ampliando o risco de doenças crônicas.

Estudos recentes reforçam esse cenário. Pesquisas publicadas nas revistas JAMA Cardiology e The Lancet Diabetes & Endocrinology indicam que a menopausa precoce pode elevar em cerca de 40% o risco de doença cardíaca coronariana e que mulheres com sobrepeso ou obesidade apresentam maior probabilidade de eventos cardiovasculares, mesmo quando os exames metabólicos aparentam normalidade. Segundo Mariana Wogel, a redução dos níveis de estrogênio durante a menopausa diminui a proteção natural do sistema cardiovascular, tornando ainda mais importante o controle do peso corporal.

A especialista destaca que sintomas como cansaço, dificuldade para emagrecer, fogachos e insônia não devem ser atribuídos apenas ao envelhecimento, pois também podem indicar alterações metabólicas. Para reduzir os riscos, ela recomenda acompanhamento médico regular, exames periódicos, prática de atividade física, preservação da massa muscular e estratégias individualizadas de controle do peso. “Adiar o emagrecimento não preserva o corpo. Apenas mantém o processo em curso”, alerta a nutróloga.

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