A baixa nos estoques de sangue na Bahia deveria servir como um alerta permanente. Sangue não se fabrica, não se compra em supermercado e não pode esperar uma emergência para aparecer. Todos os dias, hospitais precisam de bolsas para cirurgias, acidentes, tratamentos contra o câncer, transplantes e inúmeras outras situações em que uma doação pode significar a diferença entre a vida e a morte.
O problema é que ainda tratamos a doação de sangue como um gesto eventual, muitas vezes motivado apenas quando alguém próximo precisa. É preciso mudar essa cultura. Os hemocentros e o poder público precisam ampliar campanhas durante todo o ano, aproximar os pontos de coleta da população, facilitar o agendamento e investir em comunicação que mostre, de forma simples e responsável, quem pode doar e como funciona o processo. Empresas, universidades, igrejas, associações, clubes e instituições públicas também podem organizar mobilizações periódicas entre seus integrantes.
Mas a responsabilidade não é apenas do Estado. Cada pessoa que tem condições de doar precisa entender que o estoque de sangue pertence a toda a sociedade. Hoje pode ser um desconhecido precisando de uma bolsa; amanhã, pode ser alguém da nossa própria família. Esperar a emergência chegar para procurar doadores é uma estratégia que custa caro e pode custar vidas. Doação de sangue precisa deixar de ser um gesto de solidariedade ocasional e se transformar em um hábito de cidadania.
