Mitos sobre a testosterona colocam em risco a saúde masculina

Redação Olho na Saúde

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A testosterona continua cercada por mitos que alimentam falsas expectativas sobre desempenho físico, comportamento e masculinidade. Apesar de ser um hormônio essencial para diversas funções do organismo masculino, a cientista Izabelle Gindri, PhD em Engenharia Biomédica pela UTD (University of Texas, Dallas), farmacêutica, especializada em saúde hormonal, alerta que muitas crenças populares não encontram respaldo científico. Entre elas está a ideia de que níveis mais elevados do hormônio estariam diretamente ligados à agressividade, impulsividade, dominância social ou mesmo ao sucesso pessoal.

Outro equívoco frequente envolve a crença de que homens jovens precisam manter a testosterona próxima ao limite máximo dos exames para obter melhor rendimento físico ou intelectual. Na realidade, pessoas saudáveis produzem quantidades suficientes para atender às necessidades do organismo. O uso de suplementação sem indicação médica pode provocar o efeito contrário ao esperado, reduzindo a produção natural do hormônio pelos testículos, causando infertilidade temporária e criando dependência do tratamento para manter os níveis hormonais. Além disso, sintomas como fadiga, baixa libido e desânimo podem estar relacionados a fatores como privação de sono, obesidade, estresse crônico, depressão, diabetes e sedentarismo.

Gindri também reforça que a testosterona não define a masculinidade. Embora seja fundamental para o desenvolvimento de características biológicas masculinas, o hormônio não determina traços de personalidade ou comportamento. Segundo a especialista, estudos científicos apontam que características como agressividade, autoconfiança, liderança e controle emocional são resultado da interação entre fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais, contrariando discursos simplistas frequentemente disseminados nas redes sociais.

“A testosterona é uma peça importante desse quebra-cabeça, mas está longe de ser a única. Antes de buscar uma solução rápida, vale lembrar que saúde masculina não se mede apenas por um número no exame de sangue, muito menos pela promessa de juventude eterna vendida nas redes sociais. Ela depende de uma visão ampla do organismo, baseada em diagnóstico correto, acompanhamento médico e expectativas alinhadas à realidade científica”, finaliza a especialista.

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