A queda de cabelo pode ser um reflexo de desequilíbrios internos que vão além da saúde do couro cabeludo. Alterações nutricionais, metabólicas e hormonais podem comprometer o ciclo de crescimento dos fios antes mesmo de a perda se tornar perceptível. De acordo com a médica nutróloga Dra. Mariana Wogel, o folículo piloso é um tecido de alta renovação que depende de um fornecimento contínuo de energia, proteínas, vitaminas e minerais para manter sua atividade. Quando a alimentação é restrita ou deficiente em nutrientes essenciais, o organismo prioriza funções vitais, tornando os cabelos mais suscetíveis ao afinamento, à quebra e à queda difusa.
Entre os principais nutrientes relacionados à saúde capilar estão proteínas, ferro, zinco, vitaminas D, B12, C e E, além do folato. O ferro auxilia na oxigenação dos tecidos e na nutrição dos folículos, enquanto o zinco participa da síntese de proteínas e da divisão celular. Já a vitamina D influencia o ciclo de crescimento dos fios, e as vitaminas do complexo B contribuem para a renovação celular. Segundo a especialista, dietas muito restritivas e emagrecimento acelerado podem desencadear o eflúvio telógeno, um tipo comum de queda de cabelo que costuma surgir entre dois e três meses após o estresse metabólico. “Em muitos casos, o cabelo funciona como um marcador precoce de que o corpo não está recebendo o suporte nutricional de que precisa. A queda pode ser um dos primeiros sinais de carência”, afirma Mariana Wogel.
Para favorecer a saúde dos fios, a recomendação é manter uma alimentação equilibrada, com fontes variadas de nutrientes. Ovos, carnes magras, peixes como salmão, sardinha e atum, feijão, folhas verde-escuras, leite e derivados, além de alimentos como batata-doce, frutas cítricas e abacate, ajudam a fornecer proteínas, ferro, zinco, vitaminas e antioxidantes importantes para a renovação celular. Ainda assim, a médica ressalta que nenhum alimento isolado é capaz de interromper a queda capilar, sendo necessário um padrão alimentar adequado e, quando indicado, suplementação orientada por avaliação clínica e exames laboratoriais.
A nutróloga destaca ainda que a queda de cabelo nem sempre está relacionada à alimentação. Alterações hormonais, menopausa, hipotireoidismo, estresse crônico, pós-parto e alopecia androgenética também podem estar entre as causas do problema, tornando essencial a investigação da origem do quadro. “Antes de pensar em tratamento ou suplemento, é preciso entender a causa. O cabelo pode refletir deficiência nutricional, mas também pode sinalizar alterações hormonais, metabólicas ou inflamatórias que exigem outra abordagem”, diz. Para a especialista, o cuidado com os cabelos deve ser encarado como parte da saúde geral, já que fios enfraquecidos, opacos ou com queda acentuada podem indicar desequilíbrios internos que merecem atenção.
