É comum ouvir alguém dizer: “Descobri que tenho diverticulite”. Na maioria das vezes, porém, o que a pessoa realmente tem são divertículos, uma condição bastante frequente que, por si só, não representa uma doença.
Conforme explica a médica coloproctologista Glícia Abreu, entender essa diferença ajuda a reduzir medos desnecessários e permite que as pessoas cuidem melhor da própria saúde.
“Os divertículos são pequenas bolsas que podem surgir na parede do intestino grosso, principalmente com o avanço da idade. Eles são tão comuns que, após os 60 anos, grande parte da população apresenta divertículos, muitas vezes sem sentir qualquer sintoma. Em geral, são descobertos por acaso durante uma colonoscopia ou uma tomografia realizada por outro motivo”, afirma.
Já a diverticulite ocorre quando um desses divertículos inflama. Segundo a médica, nesses casos, podem surgir dor abdominal, geralmente no lado inferior esquerdo do abdome, febre, alterações no funcionamento do intestino e mal-estar, sendo, portanto, essa inflamação que exige avaliação médica e tratamento.
A boa notícia é que a maioria das pessoas com divertículos nunca desenvolverá diverticulite. E, mesmo quando a inflamação ocorre, a maior parte dos casos é tratada sem necessidade de cirurgia.
Segundo Abreu, esse é um dos principais avanços da medicina nas últimas décadas. Durante muito tempo, acreditou-se que, após algumas crises, a cirurgia seria inevitável. Hoje, sabe-se que essa ideia não corresponde às evidências científicas.
Atualmente, a indicação cirúrgica é individualizada. O médico leva em consideração fatores como a gravidade da doença, a presença de complicações, o impacto na qualidade de vida e as características de cada paciente. Em outras palavras, não é o número de crises que determina a necessidade de uma operação, mas o contexto clínico de cada pessoa.
Outra dúvida frequente diz respeito à alimentação. Durante décadas, recomendou-se que pessoas com divertículos evitassem sementes, milho, pipoca e oleaginosas, por receio de que esses alimentos provocassem inflamação. No entanto, estudos científicos demonstram que essa orientação não tem fundamento. “Esses alimentos não aumentam o risco de diverticulite e, portanto, não precisam ser excluídos da dieta apenas por esse motivo”, afirma a coloproctologista.
Por outro lado, alguns hábitos realmente fazem diferença. Uma alimentação rica em fibras, a prática regular de atividade física, a manutenção de um peso saudável e o abandono do cigarro estão associados à saúde intestinal e podem contribuir para reduzir o risco de novos episódios.
A médica ainda alerta que mais importante do que decorar listas de alimentos permitidos ou proibidos é compreender que a saúde do intestino depende, sobretudo, da adoção de um estilo de vida equilibrado. A informação correta é uma das principais formas de prevenção.
