As doenças não transmissíveis (DNTs) vêm remodelando sociedades em todo o mundo, com impacto crescente sobre a saúde pública e a economia. Problemas como doenças cardíacas, câncer, diabetes e enfermidades pulmonares crônicas atingem hoje milhões de pessoas a mais do que na geração anterior e a tendência é de agravamento. De acordo com a reportagem da Agência Brasil, esse cenário reflete mudanças demográficas, comportamentais e avanços na medicina que, embora prolonguem a vida, também aumentam a convivência com doenças crônicas.
As informações fazem parte de relatório divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que alerta para uma realidade paradoxal: as pessoas estão vivendo mais, porém muitas passam mais anos lidando com múltiplas doenças ao mesmo tempo. Segundo o documento, as DNTs não apenas encurtam a expectativa de vida, como também comprometem a qualidade de vida, reduzem a capacidade produtiva e elevam significativamente os gastos com saúde, afetando diretamente o desempenho econômico dos países.
Apesar do cenário preocupante, a OCDE destaca que boa parte desses impactos pode ser evitada. Medidas como combate a fatores de risco, entre eles obesidade, tabagismo, sedentarismo e consumo nocivo de álcool, além do diagnóstico precoce e do aprimoramento dos tratamentos, podem reduzir significativamente a carga dessas doenças. A análise aponta que investir em prevenção traz benefícios sociais e econômicos mais expressivos do que lidar com estágios avançados das enfermidades, além de aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde.
Os números reforçam a urgência do tema. Entre 1990 e 2023, a prevalência de câncer e de doença pulmonar obstrutiva crônica cresceu 36% e 49%, respectivamente, enquanto as doenças cardiovasculares aumentaram mais de 27%. Em 2023, uma em cada dez pessoas nos países da OCDE vivia com diabetes e uma em cada oito com problemas cardiovasculares. O relatório atribui esse avanço a fatores como o aumento da obesidade, a maior sobrevivência de pacientes e o envelhecimento populacional, que, sozinho, pode elevar em 31% os novos casos até 2050, além de impulsionar a multimorbidade e os custos com saúde.
