Um estudo internacional publicado na revista científica The Lancet e repercutido pela Agência Brasil trouxe à tona um dado de forte impacto para a saúde pública nacional: cerca de quatro em cada dez mortes por câncer no Brasil poderiam ser evitadas. A pesquisa aponta que, dos aproximadamente 253 mil casos diagnosticados em 2022, cerca de 109,4 mil óbitos não teriam ocorrido caso houvesse maior eficácia nas ações de prevenção, no diagnóstico precoce e no acesso oportuno ao tratamento.
O número expressivo de mortes evitáveis revela mais do que um desafio médico. Ele expõe, de forma direta, as desigualdades sociais e regionais que ainda estruturam o país e influenciam o adoecimento e a mortalidade da população. Fatores de risco amplamente conhecidos seguem presentes de maneira significativa, entre eles o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, o excesso de peso, a exposição à radiação ultravioleta e infecções preveníveis, como o HPV. Todos esses elementos são, em grande medida, evitáveis ou passíveis de controle por meio de políticas públicas consistentes e estratégias de longo prazo.
Apesar de o Brasil contar com um sistema público de saúde universal, o Sistema Único de Saúde (SUS), que assegura em teoria o acesso à prevenção e ao tratamento oncológico, a realidade mostra um cenário marcado por gargalos estruturais. Filas de espera prolongadas, dificuldades para realização de exames, atrasos no início do tratamento e desigualdade na distribuição de serviços especializados entre as regiões comprometem a efetividade dessa cobertura.




