O uso prolongado de computadores, smartphones e tablets tem contribuído para o aumento dos casos de Síndrome do Olho Seco, uma condição causada pela redução da produção de lágrimas ou pela alteração da sua qualidade, comprometendo a lubrificação da superfície ocular. O problema, cada vez mais comum nos consultórios oftalmológicos, está diretamente relacionado ao tempo excessivo diante das telas, tanto no trabalho quanto nos momentos de lazer.
A oftalmologista Liliana Nóbrega explica que a principal causa está na redução da frequência de piscadas durante o uso de dispositivos eletrônicos. “Normalmente, uma pessoa pisca entre 15 e 20 vezes por minuto para manter os olhos devidamente lubrificados. Quando estamos focados em uma tela, essa frequência cai drasticamente para cerca de 5 a 7 vezes por minuto. Sem essa distribuição adequada, o filme lacrimal evapora muito mais rápido, deixando a superfície ocular exposta, ressecada e irritada”, alerta a médica.
A especialista destaca que a falta de lubrificação provoca sintomas que muitas vezes são confundidos com cansaço visual, como sensação de areia nos olhos, queimação, vermelhidão, sensibilidade à luz, visão embaçada e lacrimejamento excessivo. “A lágrima não serve apenas para molhar o olho, ela possui nutrientes e propriedades protetoras contra infecções. Quando o ressecamento se torna constante, o paciente fica mais vulnerável a inflamações na córnea e na conjuntiva, além de pequenas lesões que podem prejudicar a visão a longo prazo”, reforça Liliana.
Para reduzir os impactos do uso contínuo das telas, a oftalmologista recomenda mudanças simples na rotina. “A principal recomendação é adotar pausas regulares: a cada 20 minutos de tela, olhe para um ponto distante por pelo menos 20 segundos. Isso ajuda a relaxar a musculatura e estimula a piscada. Além disso, ajustar o brilho do monitor, evitar o ar-condicionado direto no rosto e consultar o oftalmologista para a indicação do colírio lubrificante correto são medidas simples que fazem toda a diferença para manter a visão saudável”, conclui a oftalmologista.
