Pacientes com transtorno bipolar ainda sofrem com preconceito

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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 700 milhões de pessoas no mundo são afetadas por algum tipo de transtorno mental. Falar sobre doença mental ainda é um grande estigma. Existe um certo preconceito para muitas pessoas falar do diagnóstico, sobre como enfrentar episódios de depressão e euforia. É comprovado que parentes de primeiro grau de indivíduos com transtorno depressivo apresentam duas a três vezes mais chances de terem um quadro depressivo. O psiquiatra Paulo Barreto, da Clínica Inside Saúde Mental, explica sobre a doença do Transtorno Afetivo Bipolar (TAB).

Ainda há um grande estigma em falar abertamente sobre as doenças mentais?

Sim. Atitudes de preconceito e discriminação com os transtornos mentais e seus portadores, infelizmente continuam a acontecer, apesar das mudanças ocorridas especialmente na abundância de informações que são prestadas nos meios de comunicação. O preconceito atua negativamente, ocorre no meio social, no meio familiar e às vezes acontece no próprio paciente, prejudicando assim a adequada adesão ao tratamento, interferindo na evolução e no bom prognóstico do transtorno.

Quais os aspectos marcantes de uma pessoa com TAB?

O Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), antigamente conhecido como Psicose Maníaco Depressiva (PMD) é caracterizado pela alternância de episódios depressivos e episódios maníacos ou hipomaníacos. O episódio depressivo caracteriza-se por sentimentos de tristeza, de vazio, de inutilidade, acentuada diminuição da vontade e da iniciativa, do interesse e no prazer nas atividades da vida diária, falta de sono ou hipersonia, pensamentos lentificados, cansaço, sensação de fadiga, culpas excessivas, autoestima rebaixada. Os episódios maníaco são caracterizados por elevação do estado de ânimo, alegria excessiva, autoestima elevada, redução da necessidade de sono, aceleração do curso do pensamento. Pode ocorrer gastos excessivos, aumento da libido. Tanto nos episódios depressivos ou maníacos podem ocorrer sintomas psicóticos, delírios e alucinações

Existem tipos de bipolaridade?

A amplitude dos sintomas possíveis implica em formas diferentes de adoecimento. Considera-se o conceito do Espectro Bipolar que engloba as diversas sub formas do transtorno.

As pessoas podem ter uma vida extremamente normal com a bipolaridade?

O TAB quando tratado adequadamente tende a ter uma boa evolução e em boa parte dos casos é possível ter uma vida normal. O tratamento envolve o uso de medicamentos, especialmente os medicamentos denominados estabilizadores do humor. A psicoterapia é indicada, visto que o autoconhecimento facilita a aceitação do transtorno, ao reconhecimento precoce de novas crises, além de melhorar a adesão ao tratamento. O tratamento envolve também mudanças nos hábitos de vida, como a alimentação adequada, educação do sono, atividades físicas, evitar o uso de álcool e de drogas.

É difícil fazer o diagnóstico de um transtorno bipolar?

Às vezes a dificuldade em diagnosticar aparece, principalmente naqueles casos em que existem comorbidades, ou seja, a associação com outros transtornos psiquiátricos. Os quadros de ansiedade, abuso de álcool e drogas, os transtornos de personalidade, o TDAH, são as comorbidades mais comuns.

Qual a diferença entre o bipolar e a síndrome de Borderline?

De forma mais significativa são as variações de alternância do estado de ânimo que diferencia. As variações de humor no TAB variam em dias, semanas ou meses. No transtorno de personalidade Borderline são de curta duração, ocorrem de forma abrupta, e não são cíclicas. Nem sempre é fácil diferenciar um transtorno do outro e às vezes estão juntos, em comorbidade.

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