O resultado do Enamed 2025 acendeu um sinal de alerta na educação superior baiana: quase metade dos cursos de Medicina no estado apresentou desempenho considerado insatisfatório pelo Ministério da Educação. Dos 26 programas avaliados, doze — ou cerca de 46% — ficaram abaixo da média, todos com nota 2 em uma escala que vai de 1 a 5, enquanto apenas quatro cursos alcançaram a nota máxima e poucos se situaram nas faixas média e alta. 
Entre os cursos com as piores avaliações estão instituições privadas de diversas regiões da Bahia, como:
• Centro Universitário Maurício de Nassau, em Barreiras;
• Centro Universitário Unime, em Lauro de Freitas;
• Centro Universitário Zarns, em Salvador;
• Faculdades Integradas do Extremo Sul da Bahia, em Eunápolis;
• Faculdade AGES de Medicina de Irecê e de Jacobina;
• Faculdade Estácio, em Juazeiro e em Alagoinhas;
• Afya Faculdade de Ciências Médicas, em Itabuna e em Vitória da Conquista;
• Faculdade Pitágoras de Medicina, em Eunápolis;
• E até a única pública da lista, a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Teixeira de Freitas. 
Essa diversidade geográfica evidencia que o problema não está restrito a um único tipo de instituição ou realidade local: ele se reflete tanto na capital quanto no interior, em centros urbanos menores e em metrópoles regionais, e incide especialmente sobre cursos que dependem quase exclusivamente de mensalidades elevadas para se sustentar.
Mas o que significa, na prática, uma nota 2 no Enamed?
Consequências para estudantes e para o sistema de saúde
Cursos com notas consideradas insatisfatórias podem enfrentar sanções administrativas do MEC:
• Redução do número de vagas para novos estudantes;
• Suspensão do ingresso de novos alunos em casos mais graves;
• Em avaliações subsequentes, risco até de fechamento do curso. 
Esse cenário é alarmante principalmente por duas razões:
1. Formação comprometida de futuros médicos: alunos formados em cursos com baixo desempenho tendem a apresentar desempenho inferior em exames de residência e no mercado de trabalho, o que pode comprometer a qualidade do atendimento à população — especialmente em regiões carentes de profissionais qualificados.
2. Investimento financeiro dos estudantes: muitos desses cursos são privados e custam mensalidades altas, sem, no entanto, entregar uma formação que esteja à altura das exigências do mercado e da sociedade.
Metodologia e transparência
Criticar os cursos com piores notas não é, apenas, criticar instituições isoladas — é questionar um modelo em que a expansão quantitativa de vagas supera a preocupação com infraestrutura, corpo docente qualificado, campo de prática hospitalar e articulação com serviços de saúde. A avaliação do MEC leva em conta justamente o desempenho dos estudantes no exame nacional e outros indicadores de qualidade. 
Aliás, algumas instituições já reagiram publicamente às notas ruins, contestando a metodologia da avaliação. Mas, ao mesmo tempo em que há contrariedade, há também a responsabilidade de assumir falhas estruturais e pedagógicas.
Um futuro crítico e urgente
A crise nas notas de várias faculdades de Medicina da Bahia exige mais do que justificativas: demanda políticas públicas robustas, fiscalização efetiva e um compromisso sério das instituições com a formação de médicos competentes e éticos. Afinal, não se trata de números em uma tabela: trata-se da qualidade da assistência que será oferecida à população baiana nos próximos anos.
Se cursos formadores de profissionais de saúde não garantem bases mínimas de excelência, quem paga o preço final é a sociedade, sobretudo os mais vulneráveis, que dependem do Sistema Único de Saúde.




