O linfoma difuso de grandes células B, subtipo diagnosticado no cantor Netinho, é o tipo mais comum de linfoma não Hodgkin em adultos e representa cerca de 30% a 40% dos casos dessa categoria. Conforme explica a médica e hematologista Carolina Malafaia, apesar de ser considerado agressivo, o câncer apresenta taxas de cura superiores a 70%, especialmente quando identificado precocemente e tratado de forma adequada.
“Os linfomas são divididos em dois grandes grupos: Hodgkin e não Hodgkin. O subtipo que acometeu Netinho se desenvolve a partir dos linfócitos B, células do sistema imunológico responsáveis, entre outras funções, pela produção de anticorpos. Embora tenha comportamento agressivo, a doença pode responder bem ao tratamento, e as chances de cura dependem de fatores como o estágio em que o câncer é identificado e as condições clínicas do paciente”, ressalta.
Mas o que leva uma pessoa a desenvolver um linfoma? Segundo a hematologista, não existe uma causa única. O surgimento da doença está associado a uma combinação de fatores, que podem incluir alterações genéticas, envelhecimento, comprometimento do sistema imunológico, inflamações crônicas, exposições ambientais e determinadas infecções.
“Entre os agentes infecciosos relacionados a alguns tipos de linfoma está o vírus Epstein-Barr (EBV), muito comum na população mundial. A infecção pode ocorrer sem sintomas ou provocar manifestações semelhantes às da mononucleose infecciosa, como febre e aumento dos linfonodos. Depois de entrar no organismo, o vírus pode permanecer no corpo durante toda a vida e, em determinadas circunstâncias, contribuir para alterações na proliferação dos linfócitos”, afirma Malafaia.
A soroprevalência do Epstein-Barr entre adultos é estimada em aproximadamente 90% a 95%, o que significa que a maioria da população já teve contato com o vírus. Apesar disso, apenas uma parcela dos infectados desenvolve doenças associadas ao EBV, incluindo alguns tipos de linfoma. A presença do vírus, portanto, não significa que a pessoa necessariamente terá câncer.
A médica também destaca a relação de outros agentes infecciosos com doenças do sistema linfático. O HIV e o vírus da hepatite C estão associados ao aumento do risco de determinados linfomas de células B. Já o HTLV-1 tem relação direta com a leucemia/linfoma de células T do adulto, uma doença distinta.
Por isso, Malafaia ressalta que o desenvolvimento dos linfomas deve ser entendido como um processo multifatorial. O contato com um vírus ou a presença de um fator de risco, isoladamente, não determina o aparecimento da doença. A combinação de diferentes condições biológicas e imunológicas pode influenciar esse processo, reforçando a importância do diagnóstico adequado e do acompanhamento médico.
