A incorporação do implante contraceptivo Implanon ao Sistema Único de Saúde (SUS) representa um passo importante na democratização do acesso a métodos eficazes de planejamento reprodutivo. Trata-se de uma medida acertada do Ministério da Saúde, sobretudo diante dos altos índices de gravidez não planejada no Brasil e dos desafios enfrentados por mulheres em situação de vulnerabilidade social. Com eficácia elevada e duração de até três anos, o Implanon chega como alternativa prática e segura, especialmente para quem enfrenta dificuldade no uso contínuo de métodos como anticoncepcionais orais ou injetáveis.
No entanto, apesar da boa notícia, a implementação do novo método no SUS exige atenção a uma série de pontos críticos. A previsão de distribuir 1,8 milhão de dispositivos e capacitar profissionais para inserção e remoção é ambiciosa — e necessária. Mas esse processo depende de uma estrutura que, em muitas regiões do Brasil, ainda é precária. A efetividade da medida vai além da simples aquisição dos dispositivos. Ela envolve desde o treinamento técnico de médicos e enfermeiros até a garantia de informação acessível e clara para a população. É preciso assegurar que mulheres saibam que o Implanon estará disponível gratuitamente e que compreendam seu funcionamento, seus efeitos colaterais e as possibilidades de reversão da fertilidade.
Outro ponto que merece destaque é o recorte racial e social apontado pelo próprio Ministério da Saúde. A meta de reduzir a mortalidade materna em 25% e, em especial, a mortalidade de mulheres negras em 50% até 2027 é ousada e urgente. Para que esse objetivo seja alcançado, é essencial que a política pública seja acompanhada de estratégias voltadas à equidade, garantindo que o acesso ao Implanon não se limite a grandes centros urbanos ou a públicos já favorecidos. Ainda é importante lembrar que métodos contraceptivos, por mais eficazes que sejam, não substituem a necessidade de educação sexual nas escolas, campanhas de prevenção às ISTs e fortalecimento dos direitos sexuais e reprodutivos. O Implanon chega como reforço valioso, mas não deve ser tratado como solução única.




