Os hormônios femininos exercem influência direta sobre diversas funções do organismo, incluindo humor, memória, atenção e capacidade de raciocínio. Embora frequentemente associados apenas à saúde reprodutiva, substâncias como estrogênio e progesterona desempenham papel fundamental no funcionamento cerebral e podem impactar significativamente a performance cognitiva ao longo da vida da mulher. Como o cérebro possui receptores hormonais em áreas ligadas à aprendizagem, linguagem, emoções e memória, oscilações naturais observadas durante o ciclo menstrual, gravidez, pós-parto e menopausa podem provocar alterações cognitivas perceptíveis, como dificuldades de concentração, lapsos de memória e mudanças emocionais.
De acordo com Izabelle Gindri, doutora em Engenharia Biomédica pela University of Texas, Dallas, cientista, farmacêutica, cofundadora e CEO da bio meds Brasil, o estrogênio está entre os hormônios mais associados à proteção cognitiva. “Estudos indicam que ele participa da comunicação entre neurônios, favorece a plasticidade cerebral e estimula neurotransmissores relacionados ao bem-estar e à atenção, como serotonina e dopamina”, afirma. Segundo a especialista, em fases do ciclo menstrual em que os níveis de estrogênio estão mais elevados, algumas mulheres podem apresentar melhor desempenho em tarefas verbais, criatividade e velocidade de processamento mental.
Por outro lado, períodos de queda hormonal tendem a gerar impactos temporários na cognição. Durante a tensão pré-menstrual, por exemplo, são comuns sintomas como irritabilidade, fadiga mental e dificuldade de foco. Já no climatério e na menopausa, a redução progressiva do estrogênio pode afetar a memória recente, a qualidade do sono e a clareza mental. Muitas mulheres relatam a chamada “névoa cerebral”, caracterizada por distração frequente e lentidão de raciocínio. A progesterona também exerce papel importante no cérebro, especialmente na regulação do sono, do humor e da resposta ao estresse, fatores diretamente relacionados ao desempenho cognitivo.
Além das mudanças hormonais naturais, fatores como estresse crônico, alimentação inadequada, sedentarismo e privação de sono podem comprometer o equilíbrio hormonal e aumentar processos inflamatórios associados ao declínio cognitivo.
