Coçar os olhos é um gesto frequente, muitas vezes automático, mas com efeitos conhecidos pela medicina. A prática está associada a traumas repetidos na córnea, estrutura responsável pela entrada da luz no olho. Estudos citados pela International Journal of Ophthalmology indicam que a fricção constante pode alterar a integridade do tecido corneano, favorecendo o surgimento de doenças que comprometem a função visual ao longo do tempo.
Entre essas doenças está o ceratocone, condição caracterizada pela mudança progressiva do formato da córnea, que deixa de ser regular e passa a apresentar uma curvatura em forma de cone. Segundo a literatura médica reunida pela Biblioteca Virtual em Saúde, a doença resulta da interação entre predisposição genética e fatores externos, como alergias e microtraumas provocados pelo ato de coçar. O problema costuma surgir na adolescência e pode exigir desde correção óptica até transplante de córnea, conforme a evolução.
A coceira ocular, por sua vez, tem causas diversas. Dados do Portal da Saúde do Ministério Público da União apontam relação com exposição a poeira, poluentes, uso inadequado de lentes de contato, secura ocular e fatores psicológicos, como estresse e comportamentos compulsivos. Embora as origens sejam distintas, o risco do ceratocone está ligado ao ato mecânico de coçar, independentemente do motivo que leva ao sintoma.
A orientação das entidades de saúde é buscar alternativas seguras para aliviar o desconforto. O acompanhamento oftalmológico permite identificar a causa da coceira e indicar medidas como colírios, ajustes no uso de lentes ou mudanças no ambiente.
O Ministério da Saúde destaca que parte expressiva das deficiências visuais poderia ser evitada com cuidados básicos, entre eles evitar a fricção dos olhos e manter consultas regulares, sobretudo diante de sinais como vermelhidão, secreção ou sensibilidade à luz.



