A repercussão da morte de uma paciente após uma colonoscopia em São Paulo levantou dúvidas sobre a segurança do procedimento. Porém, conforme explica a médica e coloproctologista Glícia Abreu, embora seja uma complicação possível, a perfuração do intestino ocorre em casos raros.
“A colonoscopia, como qualquer exame, possui riscos, e a perfuração intestinal é uma complicação que pode ocorrer. No entanto, o risco é muito baixo: ocorre, em média, uma perfuração a cada 2 mil exames realizados”, explica.
Apesar de o fato ter provocado apreensão em algumas pessoas, a especialista destaca que não há motivo para pânico e alerta que o exame continua sendo um dos mais seguros e eficazes para a prevenção do câncer de intestino.
“É importante lembrar que a colonoscopia é considerada o padrão ouro para o rastreamento do câncer de intestino, um dos tipos de câncer mais frequentes e que mais causam mortes. Quando o exame é realizado por profissionais experientes, a taxa de complicações é extremamente baixa”, afirmou a coloproctologista.
O que é a colonoscopia
A colonoscopia é um exame que permite a visualização direta do interior do intestino grosso e é considerada um dos principais métodos para diagnosticar alterações no órgão. O procedimento é indicado para investigar sangramentos, mudanças no hábito intestinal e, sobretudo, para o rastreamento do câncer colorretal em pessoas a partir dos 45 anos.
O exame é realizado com um colonoscópio, aparelho equipado com uma pequena câmera que é introduzida pelo ânus e percorre todo o intestino grosso, permitindo ao médico examinar detalhadamente a mucosa intestinal em busca de pólipos, inflamações e outras lesões.
Para garantir a qualidade da avaliação, o paciente precisa passar por um preparo prévio, que inclui uma dieta específica e o uso de laxantes para limpar completamente o intestino. Durante o procedimento, é utilizada sedação para proporcionar conforto e reduzir o desconforto.
Se forem identificados pólipos ou áreas suspeitas, o especialista pode realizar a remoção das lesões durante a própria colonoscopia, sem a necessidade de um novo procedimento. O material coletado é encaminhado para análise laboratorial, que irá verificar a existência de alterações pré-cancerígenas ou de células malignas.
