A chegada de um novo ano costuma despertar promessas, recomeços e metas. Mas, para muitos idosos, o calendário muda sem que nada ao redor se transforme. São homens e mulheres que atravessam a velhice na solidão, afastados dos filhos, ignorados pela família e, muitas vezes, confinados em instituições que deveriam oferecer cuidado, mas acabam funcionando como depósitos humanos.
O envelhecimento, quando vivido sem vínculos, torna-se um fator de risco importante para depressão, ansiedade e declínio cognitivo. “Estudos mostram que a solidão crônica pode ser tão prejudicial à saúde quanto o tabagismo ou sedentarismo. E o isolamento afetivo, aquele em que a família existe, mas não se faz presente, costuma ferir ainda mais. A ausência de contato, escuta e carinho corrói a autoestima e reforça a sensação de inutilidade, algo devastador nessa fase da vida”, afirma o psiquiatra André Gordilho.
As Instituições de Longa Permanência para Idosos – ILPIs que deveriam oferecer cuidado integral, infelizmente nem sempre cumprem essa missão. “Muitas funcionam como depósitos humanos: falta equipe, estrutura e afeto. Mas, acima de tudo, falta presença familiar. A terceirização total do cuidado transmite ao idoso a mensagem implícita de que ele deixou de ser prioridade e isso adoece, ainda mais”, reforça o psiquiatra.
A velhice não deveria ser sinônimo de exclusão. Cuidar de quem envelheceu é um dever ético e afetivo, não um gesto opcional. A ciência confirma o que a sensibilidade já sabe: vínculos protegem, acolhem e prolongam a vida”, conclui Gordilho.




