Ebola, Sars: mortes por 5 vírus vão aumentar em 12 vezes até 2050 por causa das mudanças climáticas

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As mortes causadas por ao menos cinco vírus deverão aumentar em cerca de 12 vezes até 2050 devido às mudanças climáticas. É o que aponta um novo estudo publicado na revista científica BMJ Global Health, conduzido por pesquisadores da companhia de biotecnologia americana Ginkgo Bioworks.

No trabalho, em que pedem “ações urgentes” para prevenir e conter os surtos, os cientistas analisaram os números de cinco patógenos: os filovírus Ebola e Marburg, o Machupo, o Nipah e o Sars-CoV-1 (uma espécie de “primo” anterior ao coronavírus que causa a Covid-19).

 

Os vírus são todos zoonoses, ou seja, agentes que circulavam originalmente em animais, mas que passaram a se disseminar em humanos. Os pesquisadores apontam que os eventos do tipo – que ocorreram também com o HIV, a Covid-19, a Mpox, e é a preocupação atual com a gripe aviária – têm se tornado mais frequentes e graves.

Cerca de 60% das doenças emergentes atuais são transmitidas de animais para humanos, escrevem. Segundo eles, isso ocorre por meio da caça, da invasão de habitats, da criação intensiva de pecuária, entre outras atividades.

“Prevê-se que as alterações climáticas e outras formas de alterações ambientais antropogênicas (causadas pelo homem) aumentem a frequência de derrames zoonóticos (transmissão da doença de animais para indivíduos), conforme o aumento da densidade populacional e da conectividade facilitam a propagação dos surtos que ocorrem”, escrevem no artigo.

Para realizar a projeção até 2050, eles analisaram mais de 3.150 surtos de doenças registrados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que mataram ao menos 50 pessoas entre 1963 e 2019. Eles identificaram 75 casos dos chamados derrames zoonóticos, em 24 países. A pandemia da Covid-19 foi excluída da análise.

Os cientistas selecionaram então os 5 principais vírus e observaram que eles causaram 17.232 mortes no período. Delas, 15.771 (91,5%) foram provocadas somente pelos filovírus (Ebola e Marburg) no continente africano.

A análise mostrou que as epidemias pelos vírus aumentaram nos mais de 50 anos a uma taxa de quase 5% a cada ano, com a mortalidade avançando 9% a cada 12 meses. Logo, além da maior frequência, a descoberta sugere “que os surtos estão se tornando mais graves”, escreveram os pesquisadores

“Se essa tendência que observamos neste estudo continuar, esperamos ver estes agentes patogênicos causarem 4 vezes o número de eventos de repercussão e 12 vezes o número de mortes em 2050, em comparação com (o registrado em) 2020”, continuam.

Eles apontam ainda que a estimativa é considerada “conservadora” e que a realidade pode ser ainda pior por dois motivos principais. O primeiro é o alto rigor aplicado na inclusão dos patógenos na análise e o segundo é pelo estudo não incluir a Covid-19, cujo surto teve uma magnitude muito maior que o esperado e que pode influenciar a tendência.

“Nossa avaliação da evidência histórica sugere que a série de epidemias recentes provocadas por doenças zoonóticas e as repercussões não são uma aberração ou agrupamento aleatório, mas seguem uma tendência de várias décadas em que as repercussões das epidemias tornaram-se maiores e mais frequentes”, dizem.

Mas, ainda que o estudo trace um panorama difícil para as próximas décadas, os pesquisadores também afirmam que há ações possíveis para mitigar os impactos das mudanças climáticas, que reúnem esforços globais para melhorar a capacidade de prevenir e conter surtos.

Eles citam os recentes movimentos decorrentes da pandemia com a criação de sistemas para monitorar os patógenos e elogiam propostas que foram implementadas com sucesso para a Covid-19.

Entre elas, o investimento no rápido desenvolvimento das vacinas de RNA mensageiro (utilizadas nas doses da Pfizer/BioNTech e da Moderna); a vigilância focada nos principais centros de viagens e a utilização de universidades e institutos de pesquisa para analisar as águas residuais de esgoto e identificar a circulação de patógenos.

Mesmo assim, dizem que o “pacote definitivo de medidas para apoiar a prevenção, a preparação e a resiliência globais ainda não está claro”. Para os especialistas, o que fica claro é que “são necessárias medidas urgentes para enfrentar um risco grande e crescente para a saúde global”.

Fonte: O Globo

 

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