Cardiologista baiano alerta para risco silencioso de doenças do coração

Redação Olho na Saúde

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O cardiologista baiano Leandro Serafim chama atenção para uma das principais mensagens apresentadas no Congresso Europeu de Cardiologia 2026 (ESC Congress 2026): os cuidados com a saúde do coração não devem começar apenas depois do surgimento de uma doença. Realizado entre os dias 28 e 31 de agosto, em Munique, na Alemanha, o evento apresentou estudos que reforçam a importância da prevenção e da identificação precoce dos fatores de risco cardiovascular.

Entre as pesquisas que ganharam destaque está o estudo REACT, que avaliou mais de 16 mil pessoas sem doença cardiovascular conhecida. Segundo Serafim, 57% dos participantes já apresentavam algum grau de aterosclerose silenciosa, inclusive jovens entre 18 e 29 anos. Os dados mostram que alterações nas artérias podem estar presentes muito antes do aparecimento de sintomas ou de um diagnóstico cardiovascular.

O especialista também destaca a importância de olhar com atenção para a saúde do coração das mulheres. Embora os homens tendam a desenvolver aterosclerose alguns anos mais cedo, o estudo identificou um aumento acentuado entre as mulheres na meia-idade, período próximo à transição para a menopausa. Nessa fase, as mudanças hormonais podem vir acompanhadas de alterações no perfil cardiovascular, como aumento do colesterol LDL, enquanto fatores como hipertensão, diabetes, obesidade e tabagismo também podem elevar os riscos.

Para Serafim, o histórico de saúde da mulher ao longo da vida deve fazer parte dessa avaliação. Pré-eclâmpsia, hipertensão ou diabetes durante a gestação e a menopausa podem trazer informações relevantes sobre o risco cardiovascular futuro. O congresso também reforçou a importância do controle do colesterol, discutiu evidências recentes sobre a segurança das estatinas em relação à demência e destacou o papel do sono e da saúde mental na proteção cardiovascular, além do avanço de terapias contra a Lipoproteína(a). A menopausa, segundo o cardiologista, deve ser encarada como uma oportunidade para revisar de forma ampla a saúde do coração.

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