O tratamento do câncer de mama tem avançado significativamente nas últimas décadas, aumentando as chances de cura e sobrevida das pacientes. No entanto, os cuidados não devem se limitar ao combate ao tumor.
De acordo com o cardiologista Leandro Serafim, alguns medicamentos utilizados na terapia oncológica podem provocar efeitos sobre o sistema cardiovascular, tornando indispensável o acompanhamento médico durante toda a jornada.
“Alguns medicamentos amplamente utilizados e muito eficazes no combate ao câncer de mama, como as antraciclinas e o trastuzumabe, podem, em alguns casos, enfraquecer o músculo cardíaco. Isso reduz a capacidade do coração de bombear o sangue adequadamente, o que chamamos de disfunção cardíaca ou insuficiência cardíaca”, explica o especialista.
Outro ponto de atenção é que o câncer de mama e as doenças cardiovasculares compartilham fatores de risco importantes, o que exige uma abordagem preventiva desde o início do tratamento.
“Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo e consumo de álcool são fatores de risco comuns tanto para doenças cardiovasculares quanto para o câncer de mama. Além disso, alguns tratamentos oncológicos podem descompensar a pressão arterial ou agravar condições pré-existentes. Por isso, controlar esses fatores antes e durante o tratamento é a melhor forma de proteger o coração, afirma.
O cardiologista também destaca que a própria paciente também pode adotar hábitos que ajudam a preservar a saúde cardiovascular durante e após o tratamento. Entre as principais recomendações estão realizar um check-up cardíaco, abandonar o cigarro, manter uma rotina de atividade física, adotar uma alimentação equilibrada e cuidar da saúde mental.
“Faça um check-up cardíaco para avaliar pressão arterial, glicemia e colesterol logo no início do tratamento. Pare de fumar e evite também os dispositivos eletrônicos. Mantenha-se em movimento, buscando cerca de 30 minutos de caminhada ou exercício moderado cinco dias por semana. Priorize frutas, verduras, legumes e boas fontes de proteína, reduzindo o consumo de sal, bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados. Também é importante buscar momentos de descanso e estratégias para controlar o estresse”, orienta.
Além da prevenção, reconhecer os sinais de alerta pode fazer toda a diferença para evitar complicações. Serafim orienta que sintomas como cansaço excessivo, falta de ar, palpitações, dor no peito, tonturas, desmaios e inchaço nas pernas devem ser comunicados imediatamente à equipe médica.
“Se você está em tratamento ou já concluiu a terapia para o câncer de mama, fique atenta à fadiga exagerada, falta de ar, palpitações, dor ou desconforto no peito, tonturas, enjoo, desmaios e inchaço nas pernas, tornozelos ou pés. Ao notar qualquer um desses sintomas, não espere. Avise imediatamente seu oncologista ou cardiologista. O diagnóstico precoce de qualquer complicação permite tratar o problema rapidamente, garantindo que o tratamento contra o câncer continue de forma segura”, alerta o médico.
