O consumo de bebidas alcoólicas passa por uma transformação silenciosa em diferentes países, impulsionada pela busca por mais qualidade de vida, bem-estar e prevenção de doenças. Cada vez mais pessoas, especialmente entre os jovens adultos, têm reduzido ou abandonado completamente o álcool, acompanhando uma tendência observada por médicos e pesquisadores diante do avanço das evidências científicas sobre os impactos da bebida na saúde.
De acordo com informações de uma reportagem da Folha de S.Paulo, esse novo comportamento também tem provocado mudanças no mercado de bebidas, com a ampliação da oferta de produtos sem álcool e com menos calorias para atender à nova demanda dos consumidores.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool é uma substância psicoativa, tóxica e capaz de causar dependência, não existindo um nível de consumo totalmente livre de riscos à saúde. Em seu relatório mais recente, a entidade estima que o consumo de bebidas alcoólicas esteja relacionado a cerca de 2,6 milhões de mortes por ano em todo o mundo. Além disso, a ingestão de álcool está associada ao desenvolvimento de mais de 200 doenças e agravos, entre eles diversos tipos de câncer, doenças cardiovasculares, doenças hepáticas, transtornos mentais e lesões decorrentes de acidentes e episódios de violência.
Nas Américas, o cenário é ainda mais preocupante. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) mostram que o consumo de álcool na região é cerca de 40% superior à média global, com maior incidência do chamado binge drinking, caracterizado pelo consumo excessivo em uma única ocasião. A entidade alerta que esse padrão aumenta significativamente o risco de doenças, acidentes, mortes prematuras e gera impactos sociais e econômicos relevantes.
Os dados ainda apontam que a Ambev ampliou em 65% a oferta de bebidas do portfólio voltado a opções sem álcool, com menos calorias e sem glúten no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Ainda segundo a publicação, as vendas de cervejas sem álcool cresceram mais de 20%, enquanto marcas com perfil de consumo mais saudável registraram forte expansão, refletindo o avanço do movimento “zero álcool”, que associa a redução do consumo a benefícios como melhora do sono, maior disposição, aumento da produtividade e preservação da saúde a longo prazo.
