O coordenador do Fórum Pensar Saúde, Marcos Gêmeos, fez um alerta sobre a falta de acessibilidade em um espaço público de lazer recentemente revitalizado na Bonocô, em Salvador. Apesar de reconhecer a importância da iniciativa e a qualidade estética do local, ele chama atenção para a ausência de estruturas básicas que garantam o acesso pleno de todas as pessoas.
Segundo Marcos, a inexistência de piso tátil e de placas em Braille para orientar as pessoas com deficiência visual sobre o uso correto dos equipamentos, além do não cumprimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) sobre acessibilidade, especialmente a NBR 9050, que estabelece critérios como a obrigatoriedade de sinalização tátil no piso para orientação e segurança de pessoas com deficiência visual, além de diretrizes para circulação acessível, evidenciam uma falha grave no planejamento urbano.
“O espaço está bonito e atende a uma parte da população, mas ainda não é inclusivo. Quando não se respeitam as normas de acessibilidade, estamos excluindo pessoas, especialmente aquelas com deficiência”, afirma.
Vale destacar que o espaço conta com a instalação de aparelhos de exercícios físicos adaptados, incluindo estruturas pensadas para pessoas cadeirantes, o que representa um avanço importante na promoção da inclusão. No entanto, iniciativas pontuais não substituem a necessidade de um planejamento completo de acessibilidade, que garanta o acesso, a circulação e o uso seguro de todo o espaço por todas as pessoas.
O coordenador reforça que áreas públicas de lazer devem ser pensadas para todos, sem exceção. “As áreas públicas precisam oferecer condições reais de uso para toda a população. Não se trata apenas de estética, mas de garantir o direito à cidade e à convivência”, destaca.
Marcos Gêmeos também lembra que o entorno do espaço conta com diversas comunidades periféricas, onde vivem muitas pessoas com deficiência que necessitam desses equipamentos para lazer e bem-estar.
Por fim, ele expressa a expectativa de que a gestão municipal, através da Comissão de Infraestrutura e Urbanismo da Câmara Municipal de Salvador, realize uma visita ao local para corrigir as falhas identificadas e que se torne um espaço verdadeiramente inclusivo. A cidade precisa avançar no compromisso com a acessibilidade e a equidade.
