Avanços na endocrinologia pediátrica e aumento de diagnósticos reforçam importância do olhar precoce e do acompanhamento ao longo da vida
O aumento na identificação de alterações hormonais em crianças e adolescentes tem acendido um alerta entre especialistas. Condições que impactam diretamente o crescimento, o desenvolvimento puberal e a saúde metabólica vêm sendo diagnosticadas com mais frequência, muitas vezes ainda de forma tardia.
O tema está entre os destaques do Encontro Brasileiro de Endocrinologia Pediátrica (EBEP), que acontece entre os dias 23 e 25 de abril, em Brasília. O evento reúne especialistas de todo o país para discutir avanços recentes, desafios da área e atualizações relevantes tanto para a prática médica quanto para a saúde pública.
De acordo com o endocrinologista pediátrico Dr. Luiz Claudio Castro, presidente do encontro e professor da Universidade de Brasília (UnB), um dos principais desafios ainda é o reconhecimento precoce de sinais que, no dia a dia, podem passar despercebidos por pais e responsáveis.
“Muitas alterações hormonais começam de forma sutil, com mudanças no ritmo de crescimento, no desenvolvimento puberal ou até em parâmetros metabólicos. Quando identificadas precocemente, as chances de um acompanhamento mais eficaz são muito maiores”, afirma.
Entre os quadros que têm chamado atenção está a puberdade precoce, cuja incidência tem aumentado nos últimos anos. Especialistas associam esse movimento a fatores como o avanço da obesidade infantil, além de influências ambientais e mudanças no estilo de vida.
No Brasil, o cenário da obesidade infantil reforça esse alerta. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 1 em cada 3 crianças entre 5 e 9 anos apresentam excesso de peso, condição diretamente relacionada a alterações hormonais e ao maior risco de doenças crônicas ao longo da vida.
Por outro lado, o atraso no desenvolvimento puberal segue como um importante sinal de atenção, podendo indicar alterações hormonais ou outras condições que exigem investigação especializada.
Outro tema que ganha espaço nas discussões é o das Diferenças do Desenvolvimento do Sexo (DDS), ainda pouco conhecido pelo público, mas com impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes. Nesses casos, o diagnóstico precoce e o acompanhamento multidisciplinar são fundamentais para melhores desfechos.
Para os especialistas, há um consenso crescente sobre a necessidade de ampliar o olhar para sinais clínicos frequentemente considerados comuns, mas que podem indicar alterações hormonais. A recomendação é que pais e responsáveis estejam atentos a mudanças no crescimento, no ganho de peso, no desenvolvimento puberal e no comportamento.
“A informação é uma aliada importante. Quanto mais cedo essas alterações são percebidas, maiores são as chances de um tratamento adequado e de reduzir impactos no desenvolvimento”, reforça o médico.
O alerta acompanha uma preocupação global. A Organização Mundial da Saúde aponta que fatores de risco iniciados ainda na infância, como alterações metabólicas e hormonais, estão diretamente associados ao aumento de doenças crônicas na vida adulta.
Diante desse cenário, a endocrinologia pediátrica avança com foco em diagnósticos mais precoces e abordagens integradas, que não se limitam ao tratamento, mas priorizam a qualidade de vida do paciente ao longo de toda a sua trajetória.
