Com a chegada do Dia Mundial da Saúde, celebrado neste dia 7 de abril, a data marca um ponto de virada na forma como o brasileiro encara o autocuidado. Um levantamento recente da empresa de suplementos Vhita, revela que 67% dos brasileiros escolheram que o maior investimento de 2026 será na própria saúde emocional.
A pesquisa, realizada em todo o país, revela que cerca de 66% dos brasileiros reconhecem a necessidade de fazer pausas reais ao longo do dia para não sucumbir ao estresse. Para 61,8%, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal ainda representa um desafio.
A coordenadora de psicologia da Afya Sete Lagoas, Sabrina Magalhães Teixeira, comenta que o aumento do interesse dos brasileiros pela saúde mental pode ser entendido a partir de alguns fatores principais. De um lado, há uma maior sobrecarga de estressores no trabalho: jornadas mais intensas, insegurança profissional e pressão por desempenho, muitas vezes acompanhadas do medo de perder o emprego.
“Com o uso constante de aplicativos de mensagens, surgiu também a sensação de que é preciso estar disponível o tempo todo. Além disso, os limites entre vida pessoal e profissional ficaram menos claros, especialmente com o crescimento do home office. As demandas de trabalho acabam sendo incorporadas ao cotidiano, muitas vezes sem reflexão, como responder mensagens fora do horário ou durante outras atividades, o que aumenta ainda mais o desgaste”.
O sono, muitas vezes deixado de lado devido em prol da produtividade, passou a ser visto como fundamental. De acordo com a pesquisa, cerca de 69% dos participantes desejam dormir melhor, compreendendo que uma boa noite de sono é essencial para o humor e a imunidade. Dra Sabrina Magalhães explica que corpo e mente estão interligados e desequilíbrios emocionais como estresse, ansiedade e depressão afetam o corpo, alterando o sistema endócrino, processos inflamatórios, sono, humor e funções cognitivas, além de comprometerem o sistema imunológico e aumentar o risco de doenças físicas, como diabetes, infecções e problemas de pele.
“Manter o equilíbrio depende de três pilares: alimentação adequada, exercício físico e sono de qualidade. Esses hábitos combatem a inflamação, regulam o humor e melhoram o bem-estar geral. Além disso, estratégias de regulação emocional, como identificar fatores de estresse e focar no que está sob nosso controle, ajudam a prevenir tanto doenças físicas quanto emocionais. O cuidado integrado entre corpo e mente é, portanto, fundamental para qualidade de vida e prevenção de doenças”, complementa a psicóloga da Afya.
Mente alinhada com o corpo
Essa mudança não significa o abandono dos hábitos tradicionais de saúde, mas sim a ampliação deles. A prática regular de exercícios físicos segue como prioridade para 74,6% dos entrevistados, enquanto 69,2% destacam a intenção de melhorar a alimentação, com foco em produtos mais naturais e menos ultraprocessados.
A cardiologista e professora da pós-graduação em Medicina do Esporte na Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dra Déborah Prado, ressalta que exercitar regularmente ajuda a modular respostas do sistema nervoso aos estímulos de estresse, tornando o organismo mais “resiliente” e eficiente para lidar com os desafios do dia a dia.
“Durante a atividade física, diversas substâncias conhecidas como “exercinas” são liberadas. Um exemplo são as endorfinas, que promovem relaxamento e reduzem a percepção de dor. Além disso, há modulação do sistema dopaminérgico, responsável pela sensação de recompensa, e de outros neurotransmissores importantes. Por isso, atualmente, o exercício físico não deve ser visto apenas como um complemento, mas como um pilar fundamental no tratamento de transtornos mentais, sendo essencial orientar corretamente sua prática”.
O Brasil lidera com com maior índice sedentarismo na América Latina e ocupa a quinta posição no ranking mundial. Levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que 47% dos adultos brasileiros são sedentários, enquanto entre os jovens o índice chega a 84%. Somente no território nacional, aproximadamente 300 mil pessoas morrem a cada ano por doenças relacionadas ao sedentarismo. Em contexto global, cerca de cinco milhões de pessoas morrem anualmente no mundo devido a doenças ligadas à falta de atividade física.
“Integrar a atividade física de forma consistente é essencial não apenas para a saúde mental, mas também para prevenir e tratar diversas doenças físicas, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e problemas musculoesqueléticos. Além disso, atividades em grupo ou que promovam senso de comunidade aumentam a adesão, tornando o exercício mais prazeroso e consistente. A prática regular fortalece o sistema cardiovascular, melhora a capacidade respiratória, combate processos inflamatórios e contribui para a manutenção de peso saudável, atuando diretamente na prevenção e controle de diversas doenças”.
