O corpo reage a diferentes estímulos quando não sabemos lidar com as emoções de forma saudável e adaptativa. De acordo com a neurocientista e psicanalista Ana Chaves, discussões, críticas e conflitos mal resolvidos podem levar ao surgimento de desconfortos e problemas físicos, como compulsões, ansiedade, gastrite, enxaquecas e até bruxismo.
“O cérebro interpreta ameaças emocionais durante situações de discórdia, ativando seu sistema de alarme primitivo, o que desencadeia uma resposta de “luta, fuga ou congelamento”. Essa reação ocorre mesmo que a ameaça não seja física, mas percebida como um ataque à identidade, às crenças ou aos valores da pessoa”, explica Ana Chaves.
Segundo a neurocientista, em cenários de conflito intenso, o organismo aciona a liberação de hormônios como cortisol e adrenalina, devido a sentimentos de medo, tristeza, raiva e outras emoções que podem ocorrer de forma constante e frequente nessas circunstâncias.
“Diante desse contexto, a pessoa pode gerar uma sobrecarga no cérebro, levando à psicossomatização, em que problemas emocionais e psicológicos se manifestam como sintomas físicos reais e mensuráveis”, revela.
Para a especialista, técnicas baseadas na neurociência e na psicanálise podem ajudar a processar emoções de forma mais saudável. “A prática de mindfulness (ou atenção plena) e a autorreflexão podem colaborar para aumentar a autoconsciência emocional, permitindo a identificação e a nomeação dos sentimentos”, afirma.
A realização de atividades físicas e exercícios de relaxamento também é importante, pois contribui para o bem-estar físico e psíquico do indivíduo, pontua Ana Chaves. “Muitas vezes, o corpo não consegue acompanhar a mente, que se mantém em estado de alerta. Exercícios de relaxamento e a prática de atividade física, orientados por um profissional, contribuem para que corpo e mente entrem em sintonia, o que é fundamental para a saúde e o bem-estar do indivíduo”, conclui a psicanalista.




