O desenvolvimento de crianças com deficiência envolve mais do que aspectos físicos e cognitivos. O equilíbrio emocional exerce influência direta sobre o comportamento, a socialização e a resposta às terapias, especialmente em crianças e adolescentes com alterações no desenvolvimento neuropsicomotor. Durante o Janeiro Branco, campanha dedicada à conscientização sobre saúde mental, o tema ganha ainda mais relevância ao ampliar o olhar para o cuidado emocional dentro dos processos de reabilitação infantil.
Segundo a fisioterapeuta Jamaica Araújo, fundadora da Clínica Espaço Kids, o cuidado emocional deve fazer parte do acompanhamento terapêutico de crianças com deficiência. “Quando o aspecto emocional não é observado, a criança pode apresentar mais ansiedade, resistência às terapias e dificuldade de evolução. O cuidado emocional ajuda a criança a se sentir mais segura, favorecendo o engajamento e a resposta aos estímulos”, explica.
Por estarem em fase de desenvolvimento e, muitas vezes, expostas a rotinas terapêuticas intensivas, crianças com deficiência apresentam maior vulnerabilidade emocional diante de frustrações, mudanças e desafios do cotidiano. Nesse contexto, o cuidado com a saúde mental envolve ensinar a criança, de forma gradual e acolhedora, a lidar com emoções, compreender limites e enfrentar dificuldades de maneira mais leve, sempre com o suporte da família e de profissionais especializados.
Alterações de comportamento, dificuldade de interação, irritabilidade, regressões no aprendizado ou resistência às terapias podem estar associadas a fatores emocionais que interferem diretamente no desenvolvimento global da criança. Mudanças de rotina, desafios de comunicação e as próprias demandas do processo terapêutico exigem constante adaptação, reforçando a importância de um acompanhamento especializado e humanizado.
O cuidado emocional também se estende às famílias, que desempenham papel fundamental no desenvolvimento de crianças com deficiência. “Quando a família recebe acolhimento e orientação, consegue lidar melhor com os desafios do dia a dia, criando um ambiente mais equilibrado e favorável ao desenvolvimento da criança”, destaca Jamaica Araújo.
O acompanhamento com uma equipe multidisciplinar é indispensável para identificar demandas emocionais e ajustar as intervenções de forma integrada. “O suporte emocional à criança e à família garante a continuidade das terapias, potencializa os ganhos funcionais e contribui para um desenvolvimento mais consistente e saudável”, reforça a fisioterapeuta.




